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Cultura

Drogasil estreia no vôlei enquanto Superliga se prepara para atrair investidores

  • 29/10/2026 às 13:10
  • Fonte: Jovem Pan
Drogasil estreia no vôlei enquanto Superliga se prepara para atrair investidores

A Drogasil, rede de farmácias da RD Saúde, anunciou na última quarta-feira (21) o primeiro patrocínio de sua trajetória a uma equipe esportiva. A escolhida foi o Norde Vôlei, de Fortaleza, único representante do Nordeste na elite masculina da Superliga. A empresa associa o acordo à presença na região, onde vem ampliando a operação e ao discurso de cuidado com a saúde que orienta a comunicação da marca.

O contrato chega a um time que, seis meses atrás, cogitava deixar o próprio estado. Fundado em 2024 pelo campeão olímpico Marcelo Negrão, o Norde venceu a Superliga B em abril e, dias depois, chegou a avaliar a saída do Ceará por não ter um patrocinador master. O acesso esportivo veio antes da sustentação financeira, descompasso conhecido de boa parte dos clubes de vôlei no país.

O caso ganha peso porque a modalidade se prepara para mudar de modelo. No lançamento da Superliga 2026/27, o presidente da CBV, Radamés Lattari, disse que esta deve ser a última edição no formato atual. Confederação e clubes estão em conversas avançadas para criar uma empresa responsável pela gestão do torneio, aberta à entrada de investidores. Três modelos estão sobre a mesa: sócio-investidor, associativo e consórcio.

Interesse não falta. Lattari já havia contado que cinco ou seis grupos procuraram a entidade com a intenção de comprar a Superliga. A edição atual reforça o apelo comercial do produto: são 24 equipes e cerca de 290 partidas ao longo de sete meses, todas com transmissão do Grupo Globo, divididas entre Sportv2 e GeTV, com as finais na TV Globo. A premiação, acima de R$3 milhões somando masculino e feminino, é a maior da história do campeonato.

Para a treinadora brasileira Ana Paula Zandona, que trabalha no vôlei universitário dos Estados Unidos, o teste estará na capacidade de transformar esse dinheiro em planejamento. Na avaliação dela, um patrocinador viabiliza uma temporada, mas o clube só constrói algo duradouro quando consegue planejar as seguintes, o que envolve comissão técnica, condições de treino, formação e uma perspectiva de carreira para quem está chegando.

A alocação dos recursos entra na mesma conta. Contratações de peso geram repercussão imediata e atraem torcedores e patrocinadores, mas dependem de uma operação capaz de sustentá-las. Ana Paula diz que uma atleta experiente eleva o nível do elenco desde que encontre treinamento, análise de desempenho, recuperação e profissionais preparados. Segundo ela, a contratação é o que o público enxerga, mas “a estrutura é o que permite que ela produza resultado ao longo da temporada”.

Nos Estados Unidos, o capital chegou ao vôlei feminino por outra porta. A LOVB, liga profissional que estreou em 2025 com seis franquias, terá dez equipes na temporada de 2027, com novos times em Los Angeles, Miami, Minnesota e San Francisco. A franquia de Los Angeles tem entre os investidores Alexis Ohanian, cofundador do Reddit. A concorrente MLV também anunciou expansão para o mesmo ano e as duas ligas se abastecem, em boa medida, de jogadoras formadas no sistema universitário.

Ex-levantadora da NCAA Division I e com experiência em recrutamento universitário, Ana Paula vê nessa ligação entre formação e competição um fator de continuidade para as atletas. Segundo ela, a universidade garante alguns anos a mais de desenvolvimento enquanto a jogadora estuda. “Nem toda jogadora está pronta para o profissional aos 18 anos e encerrar a trajetória nessa idade pode significar perder alguém que ainda teria muito a entregar”.

Na lógica de quem investe, o argumento tem tradução direta. Uma atleta que abandona o esporte cedo é um ativo que não chega a se valorizar e a retenção de talentos aparece entre os objetivos apresentados pela própria CBV para a nova liga, ao lado da melhora na saúde financeira das equipes.

Ana Paula não defende a importação do modelo americano. “São sistemas diferentes. O ponto que merece atenção é a continuidade”. Para ela, o Brasil precisa abrir mais caminhos para que uma jovem consiga estudar, competir e amadurecer antes de decidir até onde pode chegar no esporte.

Por ora, o formato da empresa que vai administrar a Superliga segue em discussão. Só depois dessa definição CBV e clubes pretendem ouvir as propostas dos grupos interessados em entrar como sócios.